Uma Vida Pequena - Hanya Yanagihara

09:41


Olá queridos! Hoje trouxe os trechos que grifei e de certa forma me saltaram aos olhos durante essa leitura! Este livro tem 784 páginas e eu demorei 26 dias pra ler. Minha nota foi 4/5 estrelas. Eis a pergunta que não quer calar: eu chorei? E não gente, eu não chorei com esta leitura! De fato, é uma história muito triste e muito cheia de gatilhos. Eu fique chocada em vários momentos, mas eu não sou uma pessoa de chorar mesmo haha

(atenção! Esse post e imagens podem contem spoiler, não me responsabilizo!)


"A fé que elas depositavam nele, em seu triunfo, persistia inabalável, de maneira quase desconcertante." (capítulo um, parte um)

"seu trabalho (que não ia para a frente), sua vida amorosa (inexistente), sua sexualidade (não resolvida), seu futuro (incerto)." (capítulo um, parte um)

"Mas estavam na era da realização pessoal, em que aceitar algo que não fosse sua primeira opção de vida parecia fraqueza, algo desprezível. Em algum ponto, aceitar o que parecia ser seu destino deixara de ser uma atitude digna e passara a ser sinal de covardia. Havia momentos em que a pressão para alcançar a felicidade era quase opressiva, como se a felicidade fosse algo que todos deviam e podiam conquistar, e que qualquer tipo de concessão na busca por ela fosse, de algum modo, culpa sua." (capítulo um, parte dois)

"Só acho que nem toda rejeição é sem sentido" (capítulo um, parte dois)

" - As pessoas não podem simplesmente parar de falar com os pais.
 Mas podiam, e o faziam: (...) era como qualquer outro tipo de relacionamento: eram precisos cuidados constantes, dedicação e atenção, e se nenhuma das partes estava disposta a fazer um esforço, por que a relação não haveria de murchar?" (capítulo um, parte dois)

"Mas o que era a felicidade se não uma extravagância, um estado impossível de se manter, em parte por ser tão difícil de ser articulada? Não se lembrava de ser capaz de definir o que era felicidade durante a infância: havia apenas tristeza, ou medo, e a ausência da tristeza ou do medo, e este último estado era tudo que ele sempre quisera ou de que precisara." (capítulo dois, parte um)

"Amizade, companheirismo: essas eram coisas que tantas vezes desafiavam a lógica, que tantas vezes passavam longe de quem as merecia, e que tantas vezes agraciavam os esquisitos, os maus, os excêntricos, os perturbados." (capítulo dois, parte um)

"ele sobrevivera a outro dia sem revelar seus segredos, e colocara mais um dia entre a pessoa que fora e a pessoa que era agora." (capítulo dois, parte um)

"Seus dias agora eram formados de horas: horas sem dor e horas com dor, e a imprevisibilidade com que elas vinham – e seu corpo, que só era seu no nome, já que não controlava nada nele" (capítulo dois, parte um)

"– Uma coisa eu aprendi – disse. – Precisamos falar sobre as coisas enquanto estão frescas. Ou nunca falaremos. Vou ensinar você a falar sobre elas, pois vai ficar cada vez mais difícil quanto mais você adiar, e isso vai apodrecer por dentro, e você sempre irá se culpar. Estará equivocado, é claro, mas sempre pensará assim." (capítulo dois, parte um)

"– Existem dois tipos de pessoa no mundo – costumava dizer o juiz Sullivan. – Os que tendem a acreditar, e os que não." (capítulo dois, parte um)

"Não significa nada para mim / Se o mundo acreditar que estou morto / Não posso refutar tal coisa / Pois, na verdade, não faço mais parte do mundo." (capítulo dois, parte um)

"– Alguém já lhe disse que às vezes você precisa simplesmente aceitar as coisas, Jude?" (capítulo dois, parte um)

"na vida, às vezes coisas boas acontecem a pessoas bacanas. Não precisa se preocupar, elas não acontecem com a frequência que deveriam. Mas, quando acontecem, basta às pessoas bacanas dizerem “obrigado” e seguirem em frente, e talvez considerarem que aquele que está fazendo algo bom também esteja feliz, e não no clima de ouvir todas as razões pelas quais a pessoa a quem a boa ação foi feita acha que não a merece ou não é digna de tal." (capítulo dois, parte um)

"A lei nem sempre é justa." (capítulo dois, parte um)

"Desejou, como sempre fazia, que toda aquela sequência – a revelação de intimidades, a exploração do passado – pudesse ser superada rapidamente e que ele fosse simplesmente teleportado para a etapa seguinte, na qual o relacionamento era tranquilo, flexível e confortável, no ponto em que os limites das duas partes eram compreendidos e respeitados." (capítulo dois, parte um)

"Estava vivenciando o raro prazer de ver pessoas que amava se encantarem por outras pessoas que amava." (capítulo dois, parte um)

“Se eu fosse outro tipo de pessoa, poderia dizer que todo esse incidente é uma metáfora da vida em geral: as coisas se quebram, às vezes podem ser consertadas, e, na maioria dos casos, você percebe que, independentemente do que é danificado, a vida se rearranja para compensar sua perda, às vezes de forma maravilhosa." (capítulo dois, parte um)

"A cada mês, a cada semana, escolhia abrir os olhos e viver mais um dia no mundo. Fazia isso quando se sentia tão mal que a dor às vezes parecia transportá-lo a outro estado, em que tudo, até mesmo o passado que tanto se esforçava para esquecer, parecia coberto por uma pincelada de aquarela cinza." (capítulo dois, parte um)

"sabia tão pouco, mas tinha tantas esperanças, e fé de que suas esperanças pudessem um dia ser recompensadas." (capítulo dois, parte um)

"Quando olhei para ele, entendi, pela primeira vez desde a morte de Jacob, o que as pessoas queriam dizer ao falar que alguém lhes partira o coração, que algo podia lhe partir o coração. Sempre achei aquilo piegas, mas, naquele instante, percebi que podia até ser piegas, mas também era verdade." (capítulo dois, parte dois)

"nunca nos perguntaram se teríamos filhos; acho que pensaram que, contanto que não perguntassem, haveria uma possibilidade." (capítulo dois, parte dois)

"ter um filho, pensava eu, era algo que você precisava desejar de verdade, ou até mesmo com avidez. Não era uma empreitada para os ambivalentes ou desinteressados." (capítulo dois, parte dois)

"Nunca fui o tipo de pessoa (...) – que acha que o amor por um filho é uma forma de amor superior, mais significativa, mais grandiosa que as outras. (...) Mas é, sim , um amor único, pois se trata de um amor cuja fundação não é a atração física, o prazer ou o intelecto, mas sim o medo. Você não sabe o que é medo até ter um filho, e talvez seja isso que nos faça pensar que é mais magnânimo, pois o medo em si é mais magnânimo. A cada dia que passa, seu primeiro pensamento não é “Eu o amo”, mas “Como ele está?”. (capítulo dois, parte dois)

"não importa qual a idade da criança, ou quando, ou como ela se tornou sua. A partir do momento em que começa a ver alguém como seu filho, algo muda, e tudo o que você gostava nela antes, tudo o que sentira por ela antes, é precedido por aquele medo. Não é algo biológico; é extrabiológico, menos uma determinação para garantir a sobrevivência do seu código genético e mais um desejo de se provar inviolável aos estratagemas e aos desafios do universo, de triunfar sobre as coisas que querem destruir o que é seu." (capítulo dois, parte dois)

"tudo que já foi escrito sobre o luto é sempre igual, e é sempre igual por um motivo: porque não há um desvio real do texto. Às vezes você sente mais uma coisa e menos outra, e às vezes você as sente fora de ordem, e às vezes as sente por mais tempo, ou por menos tempo. Mas as sensações são sempre as mesmas." (capítulo dois, parte dois)

"Ser justo é para as pessoas felizes, para aqueles que tiveram a sorte de viver uma vida definida mais por certezas do que por ambiguidades. Certo e errado, porém, são conceitos para... bem, talvez não para pessoas infelizes, mas para pessoas marcadas; pessoas assustadas." (capítulo dois, parte dois)

"A lei é simples. Aceita menos nuances do que você pode imaginar. Na realidade, a ética e a moral têm, sim, um lugar na lei – mas não na jurisprudência. A moral nos ajuda a fazer as leis, mas não a aplicá-las." (capítulo dois, parte dois)

"Não sentia mais nada em relação àquela pessoa, mas não sentir nada por ela era um ato consciente, como virar a cara para alguém na rua por mais que a visse constantemente, e fingir que não a via dia após dia, até que um dia não via mesmo – ou pelo menos acreditaria nisso." (capítulo dois, parte três)

"Mas era verdade que, pela primeira vez, conseguiu compreender que as pessoas em quem aprendera a confiar também podiam traí-lo um dia, e que, por mais decepcionante que isso fosse, também era inevitável, e que a vida continuaria a impulsioná-lo para a frente, pois, para cada pessoa capaz de magoá-lo da alguma forma, havia pelo menos uma que nunca o faria." (capítulo dois, parte três)

"Não consigo imaginar nada que pudesse ter feito que seja capaz de mudar o que sinto por você. Não me interessa o que fez antes." (capítulo dois, parte três)

"O mais difícil não é encontrar o conhecimento (...) O mais difícil é acreditar nele" (capítulo dois, parte três)

"se abria um futuro que ele não conseguia imaginar, um futuro no qual alguém poderia de fato querer tê-lo ao seu lado para sempre, e aquela era uma realidade que nunca vivera antes, para a qual não estava preparado, e não podia simplesmente seguir as placas de sinalização." (capítulo dois, parte três)

"Naquele momento, sua felicidade é perfeita." (capítulo dois, parte três)

"conheci algumas pessoas que, por algum motivo, resolveram ser minhas amigas, e elas me ensinaram... tudo, na verdade. São elas que fizeram de mim, que fazem de mim, uma pessoa melhor do que realmente sou." (capítulo dois, parte três)

"o único segredo da amizade, acredito eu, é encontrar pessoas melhores que você, não mais inteligentes, não mais bacanas, mas sim mais bondosas, mais generosas e mais piedosas, e tentar dar ouvidos a elas quando dizem algo sobre você, não importa o quanto seja ruim, ou bom, e confiar nelas, o que é a coisa mais difícil. Mas também a melhor.” (capítulo dois, parte três)

"uma opção única não era de fato uma opção." (capítulo três, parte um)

"tudo o que precisa fazer é ser uma pessoa boa, o que você já é, e aproveitar a vida." (capítulo três, parte um)

"Nos últimos tempos, vinha pensando se a codependência seria assim algo tão ruim." (capítulo três, parte um)

"uma amizade poderia ser mais codependente que um relacionamento a dois?" (capítulo três, parte um)

"Tratava-se de duas pessoas que permaneciam juntas, dia após dia, unidas não por sexo, atração física, dinheiro, filhos ou bens, mas apenas pela concordância em seguir em frente, numa dedicação mútua a uma união que não podia ser sistematizada. Amizade era testemunhar o lento gotejar de tristezas, as longas crises de tédio e os triunfos ocasionais do outro. Era sentir-se honrado pelo privilégio de estar presente durante os momentos mais sombrios de outra pessoa e saber que você também podia ter seus momentos sombrios perto dela." (capítulo três, parte um)

"como ajudar alguém que não quer ser ajudado enquanto sabe que, se não tentar ajudar, você não estará sendo um bom amigo?" (capítulo três, parte um)

"Era impossível explicar aos sadios a lógica dos doentes, e ele nem tinha forças para tentar." (capítulo três, parte dois)

"Só porque pode fazer algumas coisas, não significa que tenha de fazê-las" (capítulo três, parte dois)

"Como estou me sentindo? (...) – É como um teste de som – afirmara. – Uma espécie de checagem consigo mesmo: Como estou me sentindo? (...) É uma maneira de se comunicar consigo mesmo, de avaliar seus impulsos em vez de simplesmente se entregar a eles." (capítulo três, parte três)

"O que não imaginara sobre o sucesso é que o sucesso torna as pessoas chatas. O fracasso também torna as pessoas chatas, mas de um modo diverso: o esforço perpétuo dos fracassados só tinha um objetivo – o sucesso. Mas as pessoas bem-sucedidas também tinham de lutar para manter seu sucesso. Aquela era a diferença entre correr e correr no mesmo lugar, e por mais que correr fosse chato de qualquer maneira, pelo menos a pessoa que corria estava se movendo, passando por diferentes cenários e diferentes paisagens. (...) Jude e Willem tinham algo que ele não tinha, algo que os protegia do tédio sufocante de ser bem-sucedido, do aborrecimento de acordar e se dar conta de que você é um sucesso e que todo dia tinha que continuar fazendo o que quer que o tenha transformado num sucesso, pois, a partir do momento que parar, deixa de ser um sucesso e começa a se tornar um fracasso." (capítulo três, parte três)

"Invejava aquilo neles, a habilidade que tinham (...) de ainda se surpreenderem, a fé que mantinham em achar que a vida, que a maturidade, continuaria a presenteá-los com experiências fantásticas, que seus melhores dias não tinham ficado para trás." (capítulo três, parte três)

"podia tomar e tomaria suas próprias decisões, mesmo que fossem ruins." (capítulo três, parte três)

"Você só tinha que continuar tentando e tentando, até que um dia acertava." (capítulo três, parte três)

"Seu silêncio começara como uma proteção, mas ao longo dos anos se transformou em algo quase opressivo, algo que o controla, em vez de ser o contrário." (capítulo quatro, parte um)

"– Às vezes receio que você tenha decidido convencer a si mesmo de que é feio ou que não é digno de amor e que algumas experiências estejam fora do seu alcance. Mas não estão, Jude: qualquer um teria sorte de estar com você" (capítulo quatro, parte um)

"Às vezes ele se pergunta se aquela ideia de solidão seria algo que ele viria a sentir caso não tivesse sido alertado quanto ao fato de que deveria estar se sentindo sozinho, de que existia algo estranho e inaceitável no tipo de vida que levava. Sempre há alguém perguntando se não sentia falta de algo que nunca lhe passou pela cabeça desejar, que nunca lhe passou pela cabeça que um dia pudesse ter" (capítulo quatro, parte um)

"ele não quer um relacionamento simplesmente por ser algo adequado: quer porque percebeu que se sente sozinho. Sente-se tão sozinho que às vezes a sensação parece física," (capítulo quatro, parte um)

"Seria capaz de destruir tudo o que construíra e protegera com tanta diligência para ter um pouco de intimidade?" (capítulo quatro, parte um)

"a solidão não é como a fome, a privação ou uma doença: ela não é fatal." (capítulo quatro, parte um)

"Desejar uma companhia, além de tudo o que já tem, parece uma forma de ganância, de querer tudo sem que lhe tirem nada." (capítulo quatro, parte um)

"Ter filhos preenchera suas vidas com um sentido imediato e inegociável de propósito e direção" (capítulo quatro, parte um)

"Sabe que provavelmente ainda vai se sentir sozinho no futuro, mas agora tem a resposta para essa solidão; agora tem certeza de que a solidão é um estado preferível ao que quer que seja – terror, vergonha, repulsa, choque, tristeza, agitação, ânsia, asco" (capítulo quatro, parte um)

"Quando era criança e lhe faziam coisas, conseguia deixar o corpo e voar para outro lugar. Fingia ser algo inanimado – um suporte de cortina, um ventilador de teto –, uma testemunha insensível e imparcial da cena ocorrendo debaixo dele. Observava a si mesmo e não sentia nada: nem pena, nem raiva, nada. Mas, agora, por mais que tente, acaba descobrindo que não consegue se dissociar. (...) sabe que aquilo é o início, não o fim, de uma longa noite, na qual não tem outra opção a não ser resistir e esperar que termine." (capítulo quatro, parte um)

"O axioma da igualdade diz que x é sempre igual a x : ele supõe que, se você tem algo conceitual chamado x , então ele deve sempre equivaler a si mesmo, deve ter um caráter único, deve possuir algo tão irredutível que nos faz presumir que seja absoluta e imutavelmente equivalente a si próprio o tempo inteiro, que seu próprio elementalismo nunca possa ser alterado. Mas isso é impossível de ser provado. Os sempres, os absolutos, os nuncas: são essas as palavras que, tanto quanto os números, formam o mundo da matemática." (capítulo quatro, parte um)

"A pessoa que eu fui sempre será a pessoa que sou, conclui. O contexto pode ter mudado (...) Mas, fundamentalmente, ainda é a mesma pessoa" (capítulo quatro, parte um)

"Todos dizemos que queremos ver nossos filhos felizes, somente felizes, e saudáveis, mas essa não é a verdade. Queremos que sejam como nós, ou então melhores. (...) Não estamos preparados para a possibilidade de que sejam piores." (capítulo quatro, parte dois)

"o sentido de um filho não é o que ele vai realizar em seu nome, mas o prazer que lhe proporcionará, seja de que forma for, mesmo uma que mal possa ser reconhecida como prazer – e, o que é mais importante, o prazer que você terá o privilégio de proporcionar a ele." (capítulo quatro, parte dois)

"Às vezes eu achava que havia algo físico nos conectando, uma longa corda que se esticava entre Boston e Portland: quando ela puxava sua ponta, eu sentia na minha. Onde quer que ela fosse, onde quer que eu fosse, haveria sempre aquela corda iluminada e retorcida que esticava e puxava, mas nunca se rompia, e a cada movimento que fazíamos nos lembrava do que nunca mais teríamos." (capítulo quatro, parte dois)

"e a disciplina, como o estado de alerta, é uma qualidade quase impossível de convencer alguém a abandonar." (capítulo quatro, parte dois)

"Lembro-me de ter pensado, como eu raramente pensava, sobre como a lei era uma coisa frágil, como dependia de contingências, como era um sistema que oferecia tão pouco conforto, apresentava tão pouca utilidade, àqueles que mais precisavam de sua proteção." (capítulo quatro, parte dois)

"Sentia tantas coisas ao mesmo tempo que, juntas, elas se combinavam para formar um nada, um torpor, uma ausência de sentimentos causada por um excesso de sentimentos." (capítulo quatro, parte dois)

"É fácil com a maioria das pessoas: a infelicidade delas é a nossa infelicidade, suas mágoas são compreensíveis, seus ataques de autodepreciação são rápidos e podem ser discutidos. Mas os dele, não." (capítulo quatro, parte dois)

"você merece ficar ao lado de alguém que o ame." (capítulo quatro, parte três)

"Só que mais estranha ainda foi a sensação que teve, de que tudo valera a pena, de que todas as suas infelicidades teriam um fim, de que estava a caminho de uma vida que seria tão boa – ou talvez até melhor – quanto qualquer coisa que lera nos livros." (capítulo quatro, parte três)

"E então ouviu uma voz, uma voz que não conhecia, mas era calma e autoritária, falar com ele. Pare , disse ela. Você pode pôr um fim nesta situação. Não precisa fazer isso. Foi um enorme alívio ouvir aquelas palavras," (capítulo quatro, parte três)

"Saber que não precisaria ir em frente era um consolo para ele, de certa forma; lembrava-o de que tinha opções, lembrava-o de que, mesmo que seu subconsciente não obedecesse a seu consciente, aquilo não queria dizer que houvesse perdido o controle." (capítulo quatro, parte três)

"Uma vez tomada a decisão, ficou fascinado por sua própria esperança, por como poderia ter se poupado de anos de dor simplesmente colocando um fim a tudo – poderia ter sido seu próprio salvador." (capítulo quatro, parte três)

"amava-os acima de tudo, e era aquilo que devia fazer pelas pessoas que amava: dar-lhes a sua liberdade." (capítulo quatro, parte três)

"poderia deitar e dormir após sua longa corrida, na qual estaria, pela primeira vez na vida, seguro." (capítulo quatro, parte três)

"Havia tanta coisa que não sabia do mundo, e o mundo era um lugar assustador." (capítulo quatro, parte três)

"Você sempre pode tentar mais uma vez , e só de pensar aquilo já se sentia mais forte," (capítulo quatro, parte três)

"Mas o que em sua vida não estava ligado a outra história maior e mais triste?" (capítulo quatro, parte três)

"Ele o ensinara como encontrar prazer na vida, e removera completamente todo prazer dela." (capítulo quatro, parte três)

"E, ainda assim, ele às vezes se questionava se um dia conseguiria amar alguém com a mesma intensidade que amava Jude. Era por ele em si, é claro, mas também pelo conforto completo da vida ao seu lado, de ter alguém que o conhecia havia tanto tempo e em quem podia confiar para que sempre o aceitasse exatamente como a pessoa que fosse naquele determinado dia. Seu trabalho, sua própria vida, eram feitos de disfarces e farsas. Tudo sobre si próprio e sobre seu contexto estava sempre mudando: seus cabelos, seu corpo, onde dormiria cada noite. Com frequência, sentia que era feito de algum líquido, algo continuamente despejado de garrafa colorida em garrafa colorida, com um pedacinho sendo perdido ou deixado para trás a cada transferência. Mas sua amizade com Jude o fazia sentir que havia algo real e imutável em quem era, que, apesar de sua vida de máscaras, havia algo elementar dentro dele, algo que Jude conseguia enxergar mesmo quando ele próprio não conseguia, como se o testemunho de Jude por si só o tornasse real." (capítulo quinto, parte um)

"Todo mundo tinha sentimentos que seriam melhores se evitados, pois colocá-los em prática complicaria bastante a vida." (capítulo quinto, parte um)

"Estava no seu lar, e seu lar era Jude." (capítulo quinto, parte um)

"Sabia que aquilo era – como muito do que imaginara sobre relacionamentos adultos –, de certa forma, uma visão romântica e ingênua, mas não significava que não podia acontecer." (capítulo quinto, parte um)

"Queria que alguém lhe dissesse que ainda era um ser humano completo, apesar de seus sentimentos; que não havia nada de errado com ele." (capítulo quinto, parte dois)

"Nessas horas que passa acordado perambulando pelo prédio, sente às vezes como se fosse um demônio que se disfarçara de humano e somente à noite pode se libertar dos trajes que é obrigado a usar durante o dia e se entregar à sua real natureza." (capítulo quinto, parte dois)

"Mas ele sabia: preocupava-se porque estar vivo era sinônimo de se preocupar. A vida era assustadora; era desconhecida." (capítulo quinto, parte dois)

"às vezes, quando sentia o surgimento de uma lembrança intrusa, apenas uma única lembrança, fácil de ser controlada e dispensada, cantava ou tocava para fazê-la ir embora, usando a música como um escudo entre os dois." (capítulo quinto, parte dois)

"O fato de eu saber que o plano é doentio significa que eu não sou." (capítulo quinto, parte dois)

"A dor é – o que é a dor? Desde o episódio do carro, não houve um só dia em que não sofresse algum tipo de dor. Às vezes, a dor é infrequente, branda ou intermitente. Mas está sempre presente." (capítulo quinto, parte dois)

"Se você ama seu lar – e mesmo se não ama –, não há nada mais aconchegante, mais confortável, mais prazeroso, do que aquela primeira semana depois de voltar." (capítulo quinto, parte dois)

"E, é claro, existe a pessoa para quem você volta: seu rosto, seu corpo, sua voz, seu perfume, seu toque, o jeito como ele espera você terminar de falar, não importa o quanto esteja demorando, antes de abrir a boca, o jeito como seu sorriso se abre lentamente em seu rosto e o faz se lembrar do nascer da lua, o quão claramente ele sentiu sua falta e o quão claramente está feliz por ter você de volta." (capítulo quinto, parte dois)

"nunca lhe passou pela cabeça desistir: manteve-se firme, por amor, por lealdade, por curiosidade. Mas não foi fácil. Na verdade, às vezes era agressivamente difícil e, de certa forma, continuava sendo." (capítulo quinto, parte dois)

"todos os atos de teimosia são infantis." (capítulo quinto, parte dois)

"Paciência; teimosia; amor: tinha de acreditar que aquilo seria o bastante. Tinha de acreditar que seriam mais fortes do que qualquer hábito de Jude, não importava por quanto tempo ou com quanta diligência fosse praticado." (capítulo quinto, parte dois)

"permitiu que seu otimismo inato obscurecesse seus temores e fizesse do relacionamento deles algo fundamentalmente alegre e radiante." (capítulo quinto, parte dois)

"À medida que envelhecia, você percebia que eram pouquíssimas as pessoas com quem gostava de passar mais de alguns dias junto, mas, mesmo assim, ali estava você, ao lado de alguém com quem gostaria de ficar por anos, mesmo quando ele enfrentava suas fases mais opacas e confusas. Então: feliz. Sim, ele era feliz. Não precisava pensar duas vezes, não mesmo. Era, como sabia, uma pessoa simples, a mais simples de todas, e ainda assim acabara com a pessoa mais complicada de todas." 

"Tudo o que quero (...) é um trabalho de que goste, um lugar para morar e alguém que me ame. Está vendo só? Simples." (capítulo quinto, parte dois)

"Mais e mais histórias são contadas, deixando um rastro de imundície: sangue e ossos e sujeira e doenças e tormento." (capítulo quinto, parte dois)

"Mas também sentia, pela primeira vez em anos, a emoção vertiginosa de tomar uma decisão, ainda que estúpida ou malplanejada ou improvável." (capítulo quinto, parte dois)

"à medida que os anos foram passando, ele viria a compreender que estava, como sempre, tentando fazer de sua vida, de sua infância, algo mais aceitável, mais normal." (capítulo quinto, parte dois)

"se pudesse convencer a si mesmo de que as coisas não haviam sido tão ruins quanto lembrava, podia também convencer a si mesmo de que era uma pessoa menos perturbada, de que estava mais perto de ser uma pessoa sã, do que temia ser." (capítulo quinto, parte dois)

"Parecia haver certa inevitabilidade naquilo, em sua vida: que a cada ano se transformaria em algo pior – mais repulsivo, mais depravado. A cada ano, seu direito à humanidade diminuía; a cada ano, deixava aos poucos de ser uma pessoa." (capítulo quinto, parte dois)

"Naqueles tempos, estava dividido entre tentar se resignar ao fato de que sua vida seria para sempre como era, e a esperança, por menor, mais estúpida e teimosa que fosse, de que poderia ser algo diferente. O equilíbrio – entre resignação e esperança – mudava a cada dia, a cada hora, às vezes a cada minuto. Estava sempre, sempre tentando decidir como deveria se sentir – se suas ideias deveriam se concentrar em aceitação ou em fuga." (capítulo quinto, parte dois)

"O terror do que podia vir pela frente era, sob muitos aspectos, pior do que o terror do sexo propriamente dito." (capítulo quinto, parte dois)

"acordou e rezou, pedindo para morrer logo." (capítulo quinto, parte dois)

"a vida compensava as perdas, e ele enxergaria a verdade por trás daquilo, embora às vezes parecesse que a vida não apenas o compensara pelo que acontecera, mas o fizera com extravagância, como se sua própria vida estivesse lhe implorando perdão, como se estivesse soterrando-o com riquezas, sufocando-o com todas as coisas belas, maravilhosas e desejadas, de modo que não se ressentisse dela, que permitisse que ela o levasse adiante." (capítulo quinto, parte dois)

"Mas agora sabia: você sempre sacrificava algo. A questão era o que você sacrificava." (capítulo quinto, parte três)

"tentava aceitar que havia certas coisas que nunca se conformariam às suas ideias de como a vida deveria ser, não importava com quanta intensidade desejasse isso ou fingisse que pudesse acontecer." (capítulo quinto, parte três)

"às vezes era tão difícil, tão triste, viver na realidade." (capítulo quinto, parte três)

"As pessoas se acostumam a qualquer coisa que seus corpos lhe imponham; ele não era exceção. Se seu corpo estivesse bem, você esperava que ele lhe atendesse, com excelência e consistência. Se não estivesse, suas expectativas eram diferentes. Ou isso, pelo menos, era o que estava tentando aceitar." (capítulo quinto, parte três)

"Precisa lembrar a si mesmo que tem de provar a Willem que quer continuar vivo, quando tudo que deseja, na verdade, é parar. Não porque está deprimido, mas porque está exausto." (capítulo quinto, parte três)

"Quer ser normal, tudo o que sempre quis foi ser normal, mas a cada ano ele se afasta mais e mais da normalidade. Sabe que é uma falácia pensar na mente e no corpo como duas entidades separadas e rivais, mas não consegue evitar." (capítulo quinto, parte três)

"À medida que envelhece, tende a pensar cada vez mais na vida como uma série de retrospectivas, avaliando cada estação que passa como se fosse uma safra de vinho, dividindo os anos que acabou de viver em eras históricas: Os Anos de Ambição. Os Anos de Insegurança. Os Anos de Glória. Os Anos de Ilusão. Os Anos de Esperança." (capítulo quinto, parte três)

"Pela primeira vez na vida, ele entendeu, de maneira visceral, o que as pessoas queriam dizer quando falavam que o coração foi à boca, embora não fosse só o coração que ele sentisse, mas todos seus órgãos sendo empurrados para cima, tentando passar por sua garganta, suas entranhas misturadas de aflição." (capítulo quinto, parte três)

"As pessoas sempre falavam de cura como algo previsível e progressivo, uma linha diagonal firme partindo do canto inferior esquerdo de um gráfico para o superior direito. Mas a cura de Hemming – que não terminou em cura alguma – não fora assim, nem tampouco a de Jude: a cura deles era uma cordilheira de picos e vales," (capítulo quinto, parte três)

"o próprio medo era um vírus dormente que nunca conseguiriam afastar de vez. Alegria, tranquilidade: tiveram que as reaprender, que as reconquistar. Mas nunca teriam que reaprender a ter medo; aquilo estaria vivo dentro dos três," (capítulo quinto, parte três)

"A vida é tão triste, pensava nesses momentos. É tão triste, e, ainda assim, todos a vivemos. Todos nos agarramos a ela; todos procuramos algo que nos console." (capítulo quinto, parte três)

"Ainda que muitas vezes sinta que não está propriamente vivendo, apenas existindo, sendo levado pelos dias em vez de se mover através deles por si próprio. Mas não se castiga muito por isso; meramente existir já é difícil o bastante." (capítulo seis, parte um)

"Seja tão firme quando quiser , disse o Sr. Irvine. Não tente fazer as pessoas gostarem de você. Nunca tente ser mais agradável para deixar seus colegas mais confortáveis." (capítulo seis, parte dois)

"Fez uma promessa a si mesmo de todo dia encontrar um motivo para seguir em frente. Alguns desses motivos são pequenos, são sabores de que gosta, sinfonias de que gosta, pinturas de que gosta, prédios de que gosta, óperas e livros de que gosta, lugares que quer ver, seja novamente ou pela primeira vez. Alguns desses motivos são obrigações: Porque devia. Porque consegue." (capítulo seis, parte dois)

"Sempre vou estar ao seu lado, de um jeito ou de outro. Prometi isso para você tempos atrás, e vou manter minha promessa agora." (capítulo seis, parte dois)

"Queria estar acima das vontades, acima das necessidades." (capítulo seis, parte três)

"Como podemos saber que nossas vidas fazem diferença?" (capítulo seis, parte três)

"E ele chora e chora, chora por tudo que foi, por tudo que podia ter sido, por cada velha ferida, por cada velha alegria, chora pela vergonha e pela felicidade de finalmente poder ser criança, com todos os caprichos, as vontades e as inseguranças de uma criança, pelo privilégio de se comportar mal e ser perdoado, pelo esplendor do afeto, dos carinhos, de servirem-lhe uma refeição e forçarem-no a comê-la, pela capacidade, finalmente, finalmente, de acreditar nas garantias de um pai, de acreditar que ele é especial para alguém, apesar de todos os seus erros e de seu ódio, por causa de todos os seus erros e de seu ódio." (capítulo seis, parte três)

"se decidisse partir para longe de mim, eu sabia que sobreviveria, mas sabia também que essa sobrevivência seria difícil; sabia que passaria o resto de meus dias procurando explicações, examinando o passado para avaliar meus erros. E obviamente sabia o quanto sentiria a falta dele," (capítulo sete, parte um)

"o simples ato de existir é exaustivo para ela" (capítulo sete)

"Poderíamos ter feito algo diferente?" (capítulo sete)

"Não é só por ele ter morrido, ou como morreu; é pelo que morreu acreditando. Por isso tento ser amável com tudo o que vejo, e em tudo que vejo, eu vejo ele.(capítulo sete)

"O tempo que ficara para trás era assustador, mas o tempo à nossa frente não o era." (capítulo sete)

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